O Jornal da Copa, publicado diariamente pelo Cel RR Ferreira Filho, publicou uma crônica intitulada A Copa dos Povos, de autoria do Cel RR José Valdinar de Oliviera Lopes, outro expoente no mundo dos esportes. Confira a crônica na íntegra.
A copa dos povos
Evento que caminha para completar 100 anos, a copa do mundo de futebol tem condões e poderes diferenciados de todas as outras possibilidades esportivas.
Um destes diferencias é o envolvimento do prazer, da simpatia pelo esporte e pela competição. Diferentemente dos torneios nacionais, onde há torcedores apaixonados por times específicos, nas copas mundiais a empatia é dirigida à beleza e à arte do esporte, à surpresa que cada partida traz ao observador, ao assistente. Quase sempre seleções de países menos tradicionais na arte esportiva, ao apresentarem um bom futebol, ganham a simpatia do torcedor. Isto aconteceu com a seleção de Camarões, e se repete agora, com a de Cabo Verde.
O interesse simplista na vitória, ao final dos 90 minutos que dura a partida, perde o sentido. Vê-se muito mais a capacidade e a maneira de se comportar que caracteriza cada povo, independente da sua história evolutiva, das suas tradições, dos seus eventos civilizatórios, embora aqui e ali a determinação dos atletas reflita sua consideração a respeito do adversário, a respeito do outro, a respeito da competição em si, e a respeito da importância daquele evento.
Antes resumida a 13 países, no seu surgimento em 1928, nesta versão de 2026 somam 48 as nações envolvidas. São 48 conscientizações pessoais em campo. 48 maneiras próprias de visualizar as situações, a vida e o viver, apesar da tentativa de globalização dos hábitos e costumes, que busca uniformizar o ser humano.
Impossível. A essência humana jamais será uma só. Jamais. Basta olhar, diferenciadamente, os jogos e os comportamentos destas 48 corporações. Ninguém, em comum, mata ou morre pela vitória.